Go to content; Go to main menu; Go to languages.
Menu

Amanda Marie

Amanda Marie uma menina anencéfala

7 de janeiro de 2004 – 9 de janeiro de 2004

Em maio de 2003 descobrimos que estávamos esperando nosso segundo filho. Nós nos enchemos de alegria e expectativa. Eu fiz uma ultrassonografia na sétima semana da nossa gravidez, muitas perguntas foram feitas, mas nada com que pudéssemos nos preocupar.

Uma segunda ultrassonografia foi feita em 11 de setembro de 2003. Como eu estava no começo do primeiro trimestre com uma ultrassonografia, nossos médicos pediram mais um exame. Durante o exame, a jovem moça que nos atendia disse: “Preciso chamar o médico”. Eu senti que algo estava errado naquele momento por causa do seu semblante. Pedi que ela me dissesse o que era.

Está tudo bem comigo?

Sim, com você está.

E o bebê está bem?

Não, o bebê não tem cérebro.

Eu gelei até assimilar aquilo e me senti totalmente desorientada naquele momento. Diferente do primeiro ultrassom, John havia ficado em casa com nosso filho e não havia vindo comigo. Nós não queríamos saber o sexo do bebê, então achamos que não seria muito importante. Enquanto a técnica ligava para John e para minha mãe, eu só chorava e dizia que não conseguia entender. Foi então que eu descobri que no dia anterior meus médicos receberam alguns exames de sangue positivos. Eles não se preocuparam porque isso se tornaria positivo se estivesse grávida de gêmeos.

Meu médico então entrou na sala, olhou para a tela, e me pediu que me vestisse e entrasse no seu consultório. Enquanto eu esperava, minha mãe e John apareceram e foi quando nosso médico nos deu mais informações. Tudo que eu podia fazer era chorar. Eu não entendia por que isso estava acontecendo comigo. Por que uma pessoa que não fuma, não usa drogas, não bebe e toma pílulas pré-natal tem um bebê assim? Por que eu?

Nós conversamos com o médico por algumas horas e então fomos para casa descansar. Na próxima segunda-feira eu fui internada com apenas 20 semanas para antecipar o parto. Eu estava assustada e não sabia o que fazer. Eu tinha John, minha mãe e meu sogro ao meu lado por três dias e esperei que a Pitocina induzisse o trabalho de parto. Meu corpo nessa altura já não estava mais reagindo à medicação que eu recebia. O bebê simplesmente não estava pronto, e algo estava impedindo que aquilo acontecesse. Eu decidi ir para casa e esperar. Como eu decidi, agora eu sei, não era aquilo que eu queria, Eu queria ir até o fim da gestação. Estes eram os planos que Deus tinha para nós. Então eu segui até o final com a gravidez.

As férias passaram e nada era mais o mesmo. Eu estava grávida com um bebê se mexendo, chutando, e isso era muito animador. Eu podia ver o bebê contra a minha pele através da minha roupa, se mexendo pra todo lado. Este foi o período mais difícil de todos, mas o mais valioso. Eu sabia que era o tempo em que eu tinha que confiar, sem saber se o bebê sobreviveria tempo suficiente para tê-lo em meus braços.

No dia 7 de janeiro, eu fui internada para uma cesariana. Eu decidi que queria ficar acordada, apenas orando para que houvesse um milagre e que meus maravilhosos médicos estivessem errados.

Após cerca de meia hora de cirurgia, eu fui informada que o bebê havia nascido. Minha primeira pergunta foi: “Ele ou ela ainda tem anencefalia?” Com nosso pediatra de um lado e John do outro eu ouvi: “Sim, e é uma menina”. Naquele momento, eu só conseguia chorar. Quando John me abraçou, eu perguntei se ela ainda estava respirando e eles me disseram que sim. Eu não tinha ouvido ela quando eles a retiraram. Eu fui para a recuperação. Eu só chorava. Eu queria estar com ela.

Apenas uma hora mais tarde, quando eu estava no meu quarto, eles trouxeram esta linda bebê para mim e a puseram nos meus braços. Ela era a pessoa mais maravilhosa que eu poderia ter diante dos meus olhos. Eu a beijei e chorei. Eu lhe disse que sentia muito por tudo que ela estava passando, mas acima de tudo, eu simplesmente a amei e a segurei em meus braços.

Quando eu estava caindo de sono, uma enfermeira a levou por um minuto. Cada momento que ela não estava em meus braços, tudo que eu perguntava era: “Ela ainda está respirando?” E eu sempre era informada que sim. Ela era uma guerreira e estava lutando.

Era uma quarta-feira quando ela nasceu e na sexta John decidiu pegar nosso filho de 3 anos para que pudesse conhecê-la. Ele a viu e a segurou no colo por duas horas. Ela faleceu 3 horas mais tarde, e foi então que nós entendemos por que ela estava aguentando firme e lutando.
Era tarde da noite e eu ainda apenas queria segurá-la e estar com ela. Então nós soubemos que era o momento de deixá-la ir.

Quando eu deixei o hospital, eu senti como se estivesse deixando-a sozinha. Eu queria tanto carregá-la comigo. Quando voltamos para casa cercados de pessoas amadas, havia um vazio no meu coração que eu sabia que nunca seria preenchido. Nós temos suas cinzas e fotos suas por toda a casa. Nós tentamos nos manter fortes e sorrir. A sua perda nunca será esquecida.

Alguns dias mais tarde eu percebi que nossos médicos foram nosso verdadeiro suporte ao longo da minha gestação. Ninguém me disse que decisão tomar ou não tomar, mas eles estiveram inteiramente do nosso lado.

Amanda é agora um lindo bebê no céu que eu sei que será meu anjo para sempre.

Dawn

 

 

Última atualização em 17.11.2010